A sustentabilidade deixou de ser discurso corporativo para se tornar instrumento de gestão estratégica, gestão de riscos e continuidade dos negócios. Essa foi a principal conclusão do ICBR-ESG 2026 – CBPS 01 e 02: Gestão, Divulgação Financeira de Sustentabilidade e Governança nas Organizações, realizado em 21 de agosto pelo Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR). Em quatro painéis, especialistas defenderam que informações ESG confiáveis começam muito antes do relatório e dependem de governança efetiva, controles internos, dados rastreáveis e integração entre áreas. Participaram Vânia Borgerth, com mediação de Aderbal Hoppe; Fabiana Costa, Evandro Zabott e Audrey Barbosa, com mediação de Onara Lima; Roberto Souza Gonzalez, Tomás Carmona e Fernanda Helena Gonçalves, com mediação de Ana Luci Grizzi; e Denys Roman, Leonardo Dutra e Giovani Nicoletti Polli, com mediação de Marcelo Medeiros. "Reportar não é um favor que a empresa faz para o mercado, é, na verdade, uma decisão de gestão. O primeiro usuário do relatório de uma empresa tem que ser a própria empresa que reporta", resumiu Vânia Borgerth, contadora e especialista em sustentabilidade, na palestra de abertura.

Na abertura, Aderbal Hoppe, presidente do Conselho de Administração do ICBR, destacou que, mesmo diante das acomodações regulatórias recentes, o tema permanece relevante — e quem se antecipa pode sair na frente. "Se é relevante, quem não está obrigado a fazer e tem toda a consciência de que isso é um tema relevante pode ter a vantagem de sair na frente", afirmou. Aderbal Hoppe associou ainda a agenda ESG à gestão responsável, citando o impacto das recuperações judiciais sobre toda a cadeia produtiva: "É ruim as empresas entrarem em recuperação judicial. É péssimo, mas toda a cadeia sofre com isso. Isso é a questão chamada de uma gestão responsável sustentável."

Solange Garcia, coordenadora do Comitê de Sustentabilidade do ICBR e organizadora do evento — coordenado também por Mário Shinzato, vice-presidente Técnico do instituto —, explicou que, após as mudanças normativas ocorridas durante a preparação do encontro, o foco foi reajustado da obrigatoriedade para a gestão, a preparação e a qualidade das informações. "Nada reduziria de forma alguma a relevância deste tema. Os riscos estão aí e só aumentaram", disse. Para ela, os pronunciamentos CBPS 01 e 02 seguem como "referencial técnico substancioso" para quem precisa divulgar com qualidade ou deseja se preparar.

Os quatro painéis

Na abertura técnica, Vânia Borgerth, com mediação de Aderbal Hoppe, usou a imagem de um iceberg para mostrar que as informações financeiras tradicionais representam apenas a parte visível dos relatórios corporativos, enquanto riscos ambientais, sociais e de governança permaneceram por muito tempo submersos. Ela destacou a importância da padronização promovida pelo ISSB, com as normas IFRS S1 e S2, e o papel estratégico do contador. "Uma empresa não pode ter várias verdades", afirmou. Saiba mais sobre o Painel 1

No Painel 2, sobre experiências de relato, Fabiana Costa (Bradesco), Evandro Zabott (Irani Papel e Embalagem) e Audrey Barbosa, com mediação de Onara Lima, mostraram que a construção do relatório é contínua e exige governança sobre os dados. "Uma estratégia de 1.000 indicadores não é uma estratégia", resumiu Fabiana. Zabott reforçou que "o contador não é responsável sozinho pela construção e pela divulgação do relatório". Saiba mais sobre o Painel 2

No Painel 3, voltado ao papel dos conselhos, Roberto Souza Gonzalez, Tomás Carmona e Fernanda Helena Gonçalves, com mediação de Ana Luci Grizzi, lembraram que a responsabilidade não desaparece com a voluntariedade do reporte. "Voluntário não significa irrelevante", sintetizou Fernanda. Para Carmona, que classificou o conselho como "guardião da estratégia", "a palavra-chave é integração". Saiba mais sobre o Painel 3

Já o Painel 4, sobre processos e controles, reuniu Denys Roman, Leonardo Dutra e Giovani Nicoletti Polli, mediados por Marcelo Medeiros, que defenderam a rastreabilidade dos dados e a robustez do ambiente de controle. "O problema não é relatório. O problema é ter o processo estabelecido", afirmou Roman, que alertou: "Não vai dar para ficar preso na conta T para o resto da vida." Saiba mais sobre o Painel 4

Encerramento

O encerramento coube a André Luis de Mora Pires, presidente da Diretoria Executiva do ICBR, que relembrou a trajetória do evento desde a primeira edição, há quatro anos. "A gente começou apresentando basicamente o tema aos contadores. Agora a gente chega num tempo de maturidade, onde as normas já foram colocadas", disse. Para ele, "independente das mudanças normativas, cada vez mais o tema é precificado pelo mercado", o que atinge contadores e não contadores: "A gente vai ser atravessado cada vez mais pela ESG."

O encontro terminou com a entrega da menção honrosa do concurso "Relato de Boas Práticas em Governança Corporativa" a Roberto Reynardt Junior, iniciativa coordenada por Solange Garcia, Heloísa Hollnagel e Mário Shinzato. Em seu balanço, Solange resumiu o dia em uma única palavra — "integração" —, presente em todos os painéis como o caminho para transformar sustentabilidade em informação confiável e melhores decisões.

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