
A adoção obrigatória da IFRS 18 e do CPC 51 a partir de 1º de janeiro de 2027 representará uma transformação estrutural na forma de elaboração e apresentação das demonstrações financeiras das empresas brasileiras. O alerta foi feito pelo Prof. Dr. Joubert da Silva Jerônimo Leite, durante curso gratuito promovido pelo Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR), que reuniu profissionais de várias partes do País para discutir os impactos das novas normas contábeis internacional e brasileira.
De acordo com o especialista, o principal objetivo da IFRS 18 é aumentar a comparabilidade e o nível de compreensibilidade das informações contábeis entre empresas de um mesmo setor econômico, permitindo que investidores, instituições financeiras e demais usuários das demonstrações financeiras possam avaliar o desempenho econômico e operacional das organizações de maneira mais transparente e consistente.
"A principal razão da IFRS 18 foi elevar o nível de comparabilidade do resultado operacional entre empresas que atuam no mesmo segmento econômico", destacou Joubert.
Ao longo da apresentação, o professor explicou que uma das mudanças mais relevantes será a nova estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), que passará a evidenciar separadamente os resultados provenientes das atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos, aproximando sua lógica da já conhecida Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).
Outro ponto amplamente debatido foi a adoção de critérios muito mais rigorosos para agregação e desagregação de contas patrimoniais e de resultado, reduzindo significativamente o uso das tradicionais contas classificadas como "Outros", frequentemente criticadas por dificultarem a compreensão das demonstrações financeiras. "Os novos princípios foram introduzidos justamente para evitar a utilização indiscriminada das contas 'Outros ativos', 'Outros passivos', 'Outras receitas' e 'Outras despesas', tornando as informações muito mais úteis para quem toma decisões", explicou.
Joubert ressaltou ainda que a implantação da IFRS 18 não pode ser encarada como uma simples alteração no plano de contas. "Quem acredita que a implementação da IFRS 18 exige apenas mudanças no plano de contas está muito enganado. Ela altera sistemas, processos, controles internos, inteligência de negócios e exige um projeto estruturado de implementação."
Durante o treinamento, o especialista recomendou que as empresas iniciem imediatamente seus projetos de adequação, considerando que 2027 marcará o início da obrigatoriedade da norma, enquanto as demonstrações comparativas de 2026 também precisarão seguir o novo padrão de apresentação.
Outro destaque do curso foi a necessidade de definição formal da materialidade contábil por parte das organizações, requisito que passa a ganhar importância estratégica para a adequada aplicação dos novos critérios de apresentação das demonstrações financeiras. "A materialidade contábil deve ser definida formalmente pela administração da empresa e documentada. Ela não é a materialidade utilizada pela auditoria independente; possui finalidade distinta e será fundamental para a aplicação da IFRS 18", disse.
Para o vice-presidente Técnico da Diretoria Executiva do ICBR, Mário Shinzato, promover debates antecipados sobre mudanças normativas é uma das formas de fortalecer a profissão contábil e preparar os profissionais para um cenário regulatório cada vez mais complexo. "O ICBR tem o compromisso de antecipar discussões estratégicas e oferecer capacitação técnica de alto nível para que os profissionais estejam preparados para implementar as novas normas com segurança e qualidade", afirmou Mário Shinzato.
Durante o encontro, também foi destacado que a implementação da IFRS 18 deverá impactar diretamente os sistemas de informação, os controles internos e a governança corporativa das empresas, exigindo atuação integrada entre as áreas contábil, financeira, tecnologia da informação, auditoria e gestão de riscos.
Ao promover o curso, o ICBR reafirmou seu compromisso com a educação continuada e com a disseminação do conhecimento técnico, contribuindo para que os profissionais da contabilidade estejam preparados para uma das mais importantes mudanças nas demonstrações financeiras desde a convergência das normas brasileiras aos padrões internacionais.
Prof. Dr. Joubert da Silva Jerônimo Leite é bacharel em Ciências Contábeis, doutor em Administração, mestre em Contabilidade e pós-graduado em Contabilidade, Auditoria e Controladoria. Atua como CEO da BR Auditoria e Consultoria, é membro do Instituto dos Contadores do Brasil (ICBR), coordenador-geral e técnico do Grupo de Reforma Tributária da Paraíba (GRT-PB), autor de livros nas áreas de Contabilidade, Finanças e Administração Estratégica e professor em cursos de pós-graduação. Possui mais de 28 anos de experiência nas áreas de contabilidade, auditoria, controladoria, perícia, finanças, governança e compliance.




